Μοῦσα: As musas na Mitologia Grega

Você já deve ter ouvido falar no termo ”Musa”. Mas você conhece a origem, historia e simbologia dessa palavra?  Do Grego Μοῦσα, as Musas tinham um papel muito importante na Mitologia. Conta-se de que Ζεύς (Zeus) queria relatar aos homens a historia do Olimpo, dos deuses e de todas as coisas. Com esse motivo, a deusa Μνημοσύνη ( Mnemosine) deusa da Memoria personificada, filha de Urano (o Céu) e de Gaia (a Terra), deitou-se com Zeus . Durante nove noites seguidas Zeus a possuiu na Pieria e dessa união nasceram as nove Musas.

Zeus-and-Hera-greek-mythology-687002_1000_845

Conta-se que um jovem chamado Hesíodo pastoreava seus rebanhos no Hélicon quando as Musas se dirigiram a ele e lhe disseram que sabiam mentir e revelar a verdade. Deram-lhe um ramo de loureiro e iniciaram-no como poeta. Em vista disso, ele contou-nos as origens ancestrais dos deuses. Hesíodo foi um grande poeta grego que viveu no século 8 a.C. Sua obra mais conhecida é a Teogonia, onde narra por inspiração das musas toda a Genealogia dos deuses Gregos.

hesio

As nove filhas de Mnemosine (a Memória) e Zeus, além de inspirar os poetas e os literatos em geral, os músicos e os dançarinos e mais tarde os astrônomos e os filósofos, elas também cantavam e dançavam nas festas dos Deuses olímpicos, conduzidas pelo próprio Apolo. Na época romana elas ganharam atribuições específicas:
  • Calíope era a musa da poesia épica
  • Clio da História.
  • Euterpe da música das flautas
  • Erato da poesia lírica
  • Terpsícore da dança
  • Melpomene da tragédia
  • Talia da comédia
  • Polímnia dos hinos sagrados
  • Urânia da astronomia.
Afirmavam os poetas que tudo que diziam era apenas repetição do que as Musas lhes haviam dito e davam a elas todo o crédito. Eles invocavam sua Musa e esperavam que ela viessem atendê-los na sua inspiração. Quando as Musas cantavam, tudo se imobilizava: o céu, as estrelas, o mar e os rios. Podiam assumir a forma de pássaros e se achavam muito próximas das ninfas das fontes, exatamente como sua mãe Mnemósina que era associada às nascentes, tanto no mundo subterrâneo quanto no mundo superior.
Tal das musas o sagrado dom aos homens.
Pelas Musas e pelo golpeante Apolo
há cantores e citaristas sobre a terra,
e por Zeus, reis. Feliz é quem as Musas
amam, doce de sua boca flui a voz.
Tradução: J.A.A.Torrano in: HESÍODO.Teogonia, a Origem dos Deuses.Estudo e tradução: J.A.A.Torrano. Iluminuras,2006

 

Com o passar do tempo, o termo MUSA começou a ser utilizado para designar mulheres belas, de uma estética imensurável. Isso porque para os Gregos, as musas possuíam o Dom de falar a verdade, inspirar e incitar aquilo que há de mais belo no Homem, a Arte. Assim, conforme a visão dos Gregos, a verdade é bela e o belo é a personificação do κόσμος (Cosmos).
Conhecer os mitos é aprender o segredo da origem das coisas. Aprende-se não só como as coisas passaram a existir, mas também onde as encontrar e como fazê-las ressurgir quando elas desaparecem. No contexto mítico, recordar significa resgatar um momento originário e torná-lo eterno. A recordação, como resgate do tempo, confere imortalidade àquilo que ordinariamente estaria perdido de modo irrecuperável. Traz de novo a presença dos Deuses, os feitos exemplares que forjam os heróis e que perseguimos ainda hoje como modelos exemplares. Nos coloca novamente em presença das tradições dos antepassados que nos tornaram o que somos. O papel da memória não é apenas o de simples reconhecimento de conteúdos passados, mas um efetivo reviver que leva em si todo ou parte deste passado. É o de fazer aparecer novamente as coisas depois que desaparecem. É graças à faculdade de recordar que, de algum modo, escapamos da morte. O esquecimento é a impermanência, a mortalidade. Conforme Platão: a natureza mortal procura, na medida do possível, ser e ficar imortal.
Dedicado para minha musa inspiradora
R.G.Campos 
 
Referências:
Tradução: J.A.A.Torrano in: HESÍODO.Teogonia, a Origem dos Deuses.Estudo e tradução: J.A.A.Torrano. Iluminuras,2006.
BULFINCH, Thomas. BULFINCH’S MYTHOLOGY: STORIES OF GODS AND HEROES. São Paulo, Sp: Martin Claret, 2006. 472 p. Tradução de: Luciano Alves Meira.

Comentários

Comentários

Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade