As mariposas que não morrem na chuva, bebem do meu vinho

Sobre mariposas, defecar, escrever, chuva, Chopin e reclamar com a sua gata do seu emprego antes de acender seu último cigarro…

 

Eu sinto um pouco de pena das mariposas que se escondem da chuva embaixo dos postes
a janela do banheiro tem a vista de um futuro em decomposição, pelo menos, durante a chuva
quando percebi, comentei com um amigo, ele achou que esse tipo de coisa deveria me inspirar
eu não lembro minha resposta
eu cago enquanto escrevo, muito do que escrevi, foi sentado na privada, e isso deve, ou ao menos
deveria, explicar muita coisa

um mosquito ou uma aranha,  mordeu meu coração periférico, essas merdinhas sabem o que fazem
eu caguei sangue, Erdheim-Chester ou hemorroidas
se for Erdheim, eu morro no fim do dia, se for hemorroidas, eu sofro por uma semana
a chuva na janela é como Chopin no piano, gosto de ouvir, principalmente bêbado ou antes de dormir

eu me limpo, tomo banho, me visto
e continuo cagado, porque
são 5 da manhã, e o céu chora como aqueles quadros das crianças bizarras

uma única mariposa dança no meu copo, embebedando-se do meu último gole de vinho
não há pão ou álcool, mas graças aos deuses,
eu achei um cigarro amassado no bolso da camisa,

– Tchau filhinha. – eu digo para a gata que dorme na borda do sofá. – Papai precisa fazer dinheiro pra algum filho da puta que essas horas, deve estar dormindo em cima de uma modelo de um metro e oitenta, com pernas inspirariam um padre a tocar uma bronha no meio missa. – ela me responde com um miado tímido, sem abrir os olhos…

Eu solto um fiapo de risada, acendo o cigarro e trago… nunca me pareceu ser uma boa, sair de casa de estômago ou pulmão vazio…

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Sobre o autor

Vinícius Prestes

Vinícius Prestes

Escritor e boêmio, 18 anos, apreciador de música, da clássica ao samba, assíduo leitor de escritores beatniks, aficionado por filmes de máfia, no momento escrevo pra não morrer...