Os últimos dias…

Um texto autobiográfico sobre uma fase difícil, olhando nos olhos, que agora da morte são, olhos que um dia foram os do meu pai…

 

Lutando com o sono
escrevendo em solitude
prometo que só a mim farei o mal
Cartola toca e a fumaça do breu embaça a janela

Uma noite que procurou sem êxito, achar as mínimas estrelas
céu azul, sem azul, sem cor e qualquer brio
poucas vezes senti mais da tristeza, que a mesma de mim
nenhum céu de hoje, demonstrou preludio de sorriso

Deus, ainda não deu sinal de vida,
permanece morto
no meu peito,
junto ao coração
metade brasas
metade pó
e
cinzas

A morte, como a marca da cerveja,
faz a diferença
trás à gosto, desejo de sono eterno
escravização pelo ócio vivo-inevitável
morre em mim: todas as vontades,
ao ver: falta de vida
Dá vontade!
de ser também:

memória e rastro,
por poucas gerações
num universo de eterno esquecimento

Se do meu presente, já vivi no passado
bloqueei como o trauma de um estupro
se como o vejo, somente sendo e marcando
de faca na pele e na alma,
se assim for,
me conforta a certeza de que passará

Mas, se apenas mais uma incógnita existencial ser,
somente na própria morte
saberei
desde quando
estive morto

Mas o porquê,
certamente
estará esquecido

Há tempo demais
de ser,
descrito

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Sobre o autor

Vinícius Prestes

Vinícius Prestes

Escritor e boêmio, 18 anos, apreciador de música, da clássica ao samba, assíduo leitor de escritores beatniks, aficionado por filmes de máfia, no momento escrevo pra não morrer...