Literatura

A lei da entropia e o vilarejo desencantado

Vocês não sabem, mas outro dia
a lei da entropia invadiu minha vida

Assim:

Instantaneamente!

De repente:

O mel ficou amargo
O café gelado
O trem parou na estação

Já não sabia mais se era física ou filosofia
Já não sabia mais se a escala de Dó Maior ainda fazia sentido,
Já não sabia mais se os pequenos vilarejos da ilha podiam sorrir
agora que desencantados.

Eu já não sabia!

A lei da entropia não perdoa ninguém.

Pelo menos foi o que pareceu
quando não perdoou aquele suco de uva esquecido
na garrafa de cerveja.

A entropia é, basicamente, o termo usado para descrever
a evolução de um sistema de ordem para a desordem.

Mas, de repente, outra lei me ocorria

e

de repente:

Eu sabia!

Eis que me ocorre que tudo foi como só poderia ser.

Na natureza o equilíbrio está nítido na desordem ordenada
Simetria e dissimetria convivem harmoniosamente.

A liberdade molecular do sistema fez o que só poderia fazer
manifestou a realidade em sua desordem.

A desordem acontece às vezes, ela quer nos mover.
E assim…

De repente:

As águas do rio voltaram a correr, e eu já não podia alcançá-las outra vez.
O trem voltou a passar, e quem sabe na próxima,
como uma andarilha, eu me lançasse no ar.

E eis que a paz e a aceitação das leis da natureza
me convidaram para entrar mais uma vez,

e as olhando nos olhos,
eu aceitei.

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