Literatura

A sala sem janela e o gato de Schrödinger

Ali estava eu
Mais uma vez

Naquela sala sem janela
Naquela mesa sem vida
Na ansiedade de não saber…

Não saber se
O gato de Schrödinger
está vivo ou morto
Agora que tão envenenado

Apesar de tudo…

Contemplava simpaticamente
a finitude do tempo, do desconhecido
e da vida

Apesar de tudo…

As forças vivas dançavam na existência
Elas dançavam!

Apesar de tudo…

A imediatez de uma música
que vai acabar
puxa nossos ouvidos para o agora.

Pensava que tomar consciência
da vida ou da não-vida felina
não deveria deslocar tanto
as coisas na mente e no coração

Mas era aquela velha reflexão;
de sentir o antes no agora
depois da transição

porque
o que muda do ontem para o hoje é
que ontem eu não sabia o que sei hoje

Mas se eu nunca soubesse,
então o gato poderia permanecer tal e qual?

Isto é:

Liquidando-se na existência
como todos os outros gatos
que inabaláveis permitem
que os incontáveis segundos se percam?

Não saber, não era uma opção
mas o coração
por um breve descuido e desatenção
bem que poderia ignorar essa informação

Da mesma forma que o nosso rudimentar atual estado de consciência
faz diariamente sem que sequer possamos perceber

Ah… Mas antes que eu me esqueça
eu descobri o final da equação
o gato estava vivo
e morto…
ao mesmo!

E assim, seguiram-se os dias.

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