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Aeroporto

Uma ida ao aeroporto e uma situação horrenda me ocorreu. Por que algumas são tão superficiais

As pessoas são pagas para sorrirem e dizerem que está tudo bem, que tal companhia aérea é a melhor do planeta?! O comissário aprendeu a comportar-se como um animador de festas infantis, só que para adultos. Atende a todos com muita alegria e constância. Isso foi tudo aprendido no treinamento. O treinamento para ser feliz o tempo todo.

Na lanchonete comprei um pão de queijo, por um preço alto; me ocorreu a pergunta: o que se passa com uma pessoa que paga esse preço exorbitante por um café e um pão de queijo?

Então decidi beber água mineral sem gás, e me arrependi com a troca. Era o preço de um pão de queijo com café.

Que lugar estranho.

O lugar deveria ser de passagem para outro, mas me parece um inferno para sair correndo.

Então fui à livraria, no saguão de embarque, e fiquei observando livros; até que vieram alguns que, de maneira estranha, ficaram sorridentes enquanto olhavam para um livro de autoajuda.

Que gente feliz por consumo! Todos estavam tão alegres, a família e até o atendente mal remunerado.

Existe um cheiro no local que não consigo decifrar, e não é das malas dos viajantes nem dos perfumes dos passageiros. Talvez seja o cheiro da união de um local vazio, sem pátria, sem cultura, sem sentido, e um bando de gente que acha graça do vazio tedioso preenchido por um lugar que proporciona consumo, partida e chegada.

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