A consciência inconsciente de que cada minuto é único

Diante de um sinal vermelho, diante de uma barreira que talvez nunca tenha ultrapassado.  Havia um carro, de 7 anos ou mais, um carro entre milhares de outros, mas que era único por seus detalhes, detalhes estes que ninguém saberia, que ninguém poderia visualizar. Era curioso pensar quantas coisas aconteciam ao nosso redor, sem que percebêssemos. Eram as pequenas coisas que importavam; A maneira como sol bate em sua janela ao amanhecer, risadas e bons diálogos mascarados por um café, a maneira como as folhas caem em nossos caminhos, uma forma de olhar, de falar, de viver…

Talvez, perceberíamos tamanha simplicidade com maior facilidade se refletíssemos em frente ao espelho nossas próprias mudanças. A vida acontece nos detalhes, mas não notamos nosso envelhecimento diário, porque só percebemos quando o conjunto de pequenas mudanças toma uma dimensão superior à nossa distração diária.

Tendemos a nos acostumarmos com as situações, tornando-as corriqueiras, chatas e entediantes, acomodamo-nos não pela freqüência com que acontecem, mas por deixarmos para lá o primeiro olhar.

O belo e o desesperador da existência humana mostravam-se na imediatez, na consciência inconsciente de que cada minuto, não voltaria. Entretanto, frequentemente parecíamos esquecer tal fato e parávamos de olhar para as coisas e para as pessoas com um olhar atento.

Por que aceitamos?

Por que não percebemos?

Não, não. É sempre possível exigir mais de nossa existência.  A  imediatidade dos detalhes nos chama para uma vida mais empolgante.

Passamos pela vida esbarrando uns nos outros, sempre no piloto automático, como formigas, não sendo solicitados a fazer nada de verdadeiramente humano. Pare. Siga. Ande aqui. Dirija ali. Ações voltadas apenas a sobrevivência. Toda comunicação servindo para manter ativa a colônia de formigas de um modo eficiente e civilizado. “O seu troco”, “Papel ou plástico?”, “Crédito ou débito?”, “Aceita ketchup?”. Não quero um canudo. Quero momentos humanos verdadeiros. Quero ver você. Quero que você me veja. Não quero abrir mão disso. Não quero ser uma formiga, entende?Waking Life

Comentários

Cofundadora e desenvolvedora do site Vida em Equilíbrio, estudante de Filosofia na Universidade Federal de Pelotas.

“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é…
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa

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