Zygmunt Bauman, o sociólogo e filósofo polonês, pai da “modernidade líquida”, faleceu recentemente aos 91 anos, em 9 de janeiro de 2017. Em homenagem a este grande pensador, gostaria de fazer aqui algumas reflexões, sem a pretensão da profundidade e alcance das ideias do brilhante sociólogo, obviamente.

Bauman chamou a atenção do mundo para as tais “relações líquidas”, assim denominadas por ele. Deixou-nos um legado, um olhar de referência para esta nossa vida “moderna” e suas inevitáveis consequências para o presente e, certamente, para o porvir.

Vivemos a era das intensas, porém fugazes e superficiais, relações online. Uma era em que facilmente fazemos mil amigos no Facebook e em que, com a mesma facilidade, desfazemos amizades e fazemos novos amigos. Uma era do aqui-e-agora, em que pouco se aprofunda, em que a atenção é flutuante, em que um minuto é muito tempo, a era das informações e não do conhecimento, enfim, uma era em que as relações humanas não se fixam, não permanecem, não criam laços, desconhecem raízes, uma era em que, devido a todas estas características, Bauman designou de “líquidas”, pois escoem das mãos como a água que não se detém e está sempre correndo para outros destinos.

Acho que não há voltas atrás na vida. Ampliamos, seguimos em frente, mas também devemos agregar as boas conquistas do passado. Não é à toa que tantos se sentem infelizes, incompreendidos, depressivos e solitários. A verdade é que nosso tempo para o “outro” é escasso. Temos sido incitados a nos colocar sempre em primeiro lugar, nosso egoísmo e nossa vaidade têm sido incentivados sem medidas. Robôs que somos, sentados em frente à tela da TV, do computador ou olhos fixos no celular, compramos estas ideias sem muita reflexão, afinal, nosso ego é besuntado com estas lisonjas que nos desvirtuam do real sentido da vida. Portanto, devemos agregar… O passado nos ensina que somos uma comunidade. Precisamos uns dos outros. Ninguém é melhor que ninguém. Sempre temos o que aprender com os outros e também o que ensinar. Aí está a beleza da vida! As trocas. Podemos crescer juntos em uma grande relação fraterna que estabelece laços, que olha o outro nos olhos, que leva o outro em consideração. Esta crise que vivemos atualmente tem seus benefícios. As pessoas estão tendo que buscar ajuda dos mais próximos, estão tendo que desenvolver a humildade, que resgatar o senso de família e comunidade. Ou seja: tempestades trazem bonanças…

Bauman jamais será esquecido. Suas palavras, seu alerta, ressoam cada vez que preferimos a companhia do nosso celular, mesmo cercados de pessoas queridas. Então, meus queridos leitores, que chegaram até aqui comigo, peço que reflitam. Estas mensagens todas que enviamos uns aos outros, que postamos e compartilhamos, vamos procurar vivê-las! A Internet tem certamente seus benefícios, mas queria instigá-los a experimentar hoje dizer a alguém importante o que pensa. Simplesmente, olhem nos olhos deste alguém, peguem em suas mãos, o abracem e lhe digam o quanto é importante para vocês. Façam alguém feliz e receberão a felicidade como troco. Por um mundo de relações mais sólidas que líquidas!

Comentários

Comentários

Sobre o autor

Iolanda Krusnauskas

Iolanda Krusnauskas

Psicóloga clínica (USP-SP) e psicopedagoga (Instituto Sedes Sapientiae).