Mary e Max: Uma amizade diferente

Seres Humanos, movidos por uma energia vital chamada AMOR. Eros, Philia e Agapé são três definições dentro do campo filosófico, que visam classificar as diferentes formas de amor presentes em nosso meio. Falaremos então do Amor Philia, que segundo Aristoteles é o amor de amizade, sentimento de achegamento por se ter algo em comum. Capacidade de manter uma relação recíproca. Amigos, irmãos, é o amor baseado nas emoções. Vivemos em mundo onde os interesses dominam a existência humana, aonde guerras egoísticas são travadas a todo instante, onde a ganância vibra e a vaidade exita. Mas existem antídotos para todo esse mal estar, e ele se chama AMIZADE.
Para falar sobre Amizade, nada mais justo do que usar como exemplo um dos filmes mais fantásticos já produzidos pela industria cinematográfica: Mary e Max. O filme aborda o autismo e a solidão de forma bastante sensível, utilizando a delicadeza e a sutiliza do stop-motion.
“A vida de todo mundo é como uma longa calçada. Algumas são bem pavimentadas, outras têm fendas, cascas de banana e bitucas de cigarro”.
Com essa frase em seu roteiro, o filme “Mary and Max – Uma Amizade Diferente” (Austrália, 2009) nos mostra exatamente as dificuldades que somos obrigados a encarar durante a vida. Com um cenário praticamente preto e branco e personagens nada fofinhos, este definitivamente não é um filme para crianças. O que deve ser destacado é a forma com que as personagens se relacionam durante o filme. A história se apresenta com dois personagens. Mary Dinkley é uma garota de oito anos, é um pouco gordinha e muito solitária, que não tem amigos e que vive na região pobre de Melbourne, na Austrália. Max Horovitz é um judeu de 44 anos que tem uma característica muito interessante , ele possui Síndrome de Asperger (um tipo de autismo em grau elevado) e é um solitário na cidade de Nova York.
Como seus pais não eram muito atenciosos e cheios de vicios, Mary escreve uma carta para um endereço que achou em uma lista de contatos, localizado nos Estados Unidos com o intuito saber de onde vem os bebês. Assim, alcançando dois continentes, ela conhece Max, que apesar da diferença de 20 anos em suas idades, acabam descobrindo paixões em comum e continuam se correspondendo por quase duas décadas. Eis o amor PHILIA!
Com o passar do tempo , Mary e Max trocam centenas de cartas e doces. Max possui varias crises, chega a ser internado em um hospital psiquiátrico, pois as perguntas de Mary lhe causavam ansiedade e medo. Mary perde seus pais, e então fica sozinha de uma vez por todas. As únicas conversas são via carta e destinadas a Max. Mas conforme o tempo passa, Max vai  perdendo a saúde e Mary começa a entrar em profundo estado de depressão.
 A amizade de Mary e Max sobrevive a todos os altos e baixos da vida. Enquanto Mary cresce, Max envelhece. E um apoia o outro em suas dúvidas e conflitos mesmo que nunca tenham se visto pessoalmente. Mas, talvez, a característica mais bonita de ambos seja a inocência. A dela normal de uma criança, acentuada pelos problemas com a família, e a dele provocada pela síndrome. Essa característica faz com que eles se compreendam incondicionalmente e não escondam ou manipulem seus sentimentos, que são expostos por eles sem medo. É através dessa amizade que podemos perceber a beleza de ter amigos, de amar sem interesses, de desejar o bem ao outro pelo simples fato de amar.  De maneira simples e com grande sensibilidade, ele chama atenção para a dificuldade de todos os tipos de relacionamentos humanos e nos faz refletir sobre as diferenças e a importância de se conviver com elas.
Mary e Max  é um daqueles  filmes emocionantes , que mostra de forma original e direta como a vida é repleta de dificuldades e injusta aos nossos olhos. Mesmo parecendo um pouco pessimista, o longa, na verdade, é uma lição de esperança que deposita na amizade toda a força necessária para vencer as dificuldades impostas pela vida.

Para aqueles que ainda não assistiram ao filme fica aqui uma indicação. E que possamos refletir sobre nossas amizades e nossas diferenças.

L’amore Vince Tutto

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade