Não se torne um robô…

O Homem é um Ser de desejo, por isso amamos aquilo que não temos e desejamos aquilo que nos falta. Vivemos em tempos complexos, tempos que exigem intensa reflexão e uma dose cavalar de cautela. A tecnologia trouxe para nossa rotina os eletrônicos, e assim fizemos deles meios de comunicação, expressão e conhecimento. Em tempos não muito distantes, precisávamos nos deslocar a distancias imensuráveis para estar em contato com outras pessoas. Hoje basta apenas um clique para se conectar ao outro lado do mundo através de uma tela. Tudo isso, pode-se dizer, é fruto de um desejo Humano em romper com os limites que nos cercam. Queremos sempre mais, criamos utopias, metafisica e teorias acerca de nossa existência. Mas com o avançar da historia, eis que surge no cenário social novas problemáticas existenciais: a cultura do descartavel, o narcismo desenfreado, o consumismo e a liquidez dos relacionamentos.   

Até aqui tudo bem, nada de muito assustador para quem vive em pleno Século XXI. Assustador é quando percebemos a gravidade das ações que tudo isso nos levou a cometer em nossas relações. Acostumados a trocar nossos celulares por aparelhos mais modernos, sofisticados e estéticos, passamos também a tratar as pessoas como mercadorias, tirando do Homem o seu valor. Nossos relacionamentos se tornam um grande comercio, passiveis de trocas infinitas e simplórias. Pouco a pouco nos distanciamos uns dos outros fisicamente, abandonamos as praças e se auto isolamo-nos no mundo virtual. Passamos horas editando nossas biografias online, currículo lattes e nossas fotos no Instagram. Habituados a correr contra o tempo, trocamos as refeições completas por comidas rápidas e já nem sabemos mais distinguir um alface de um brócolis. Se antes nos sentíamos um pouco solitário, agora caímos em um posso de solidão escuro e frio.

”São tempos difíceis para os sonhadores…”

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Tomadas de energia acabaram roubando a cena nos aeroportos e pouco a pouco deixamos de lado as perguntas como: Como é seu nome? Para onde vai? De onde vem?. Na busca de abraçar tudo de uma unica vez, soltamos aquilo que carregávamos conosco e acabamos de mãos vazias. A ilusão do TER fez com que chegássemos ao triste momento em que já não sabemos mais o que é SER. Olhamos para o agora e pensamos “puta merda, então é isso que eu sou”? Quer dizer, quando eu tinha 7 anos eu dizia que queria ser tanta, mas tanta coisa. E agora veja só, eu não sou nada.”. Fingimos e até enganamos os outros de que somos felizes, mas por dentro a solidão só aumenta..E no fundo percebemos que algo está errado, que as coisas não vão nada bem e que fizemos algo errado de uns tempos para cá.

Deveríamos ler mais livros. Escutar mais músicas. Assistir mais filmes. Ter menos preguiça, sentar mais no chão, correr mais pelo parque. Essas coisas fazem com que a gente se sinta livre. É tão ruim a gente ter que se aprisionar. Deveríamos sair de noite, caminhar sem rumo, ficar olhando para o céu. Pode soar bobo, mas isso  é tão importante. Escrever uma carta hoje em dia me parece ser uma prova de amor enorme, pois muitos acham mais fácil digitar um email. Mas lembre da doçura que é ler uma carta escrita a mão ou ver uma foto revelada tirada com uma câmera analógica. Para escrever um texto no computador nós estamos falando com outras pessoas, ouvindo música ou até vendo tv. Para escrever uma carta temos que separar o papel desejado, a caneta perfeita, sentar em um cantinho bom e se concentrar.

No final das contas, esse é só mais um texto em meio a milhões, disso sabemos, mas que ele possa fazer com que possamos refletir sobre tudo isso que fizemos de nossa existência. Se a tecnologia é ruim? Jamais.. Ruim é a forma como estamos utilizando. No fundo temos sede de ser mais humanos e menos robotizados.  HOMEM, NÃO SE TORNO UM ROBÔ !

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade