Ninguém se vai para sempre

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As pessoas simplesmente somem da nossa vida de uma hora para outra, isso me causa um certo desconforto. Lidar com memorias é algo extremamente desafiador, pois a sensação que tenho é de que tudo esta gravado dentro de nós.  Nunca aceitei a visão de morte que a maioria das pessoas detêm. São as memorias que dão vida as pessoas e eu acredito que ninguém morre de verdade para sempre. Talvez a vida seja uma brincadeira de esconde-esconde, onde algumas pessoas se escondem tão bem que passam muito tempo esperando serem encontradas, para que possam serem vistas novamente.  Um ciclo vicioso entre aparecer e se esconder.
Já faz tanto tempo que eu não vejo muitas pessoas, porém dentro de mim as memorias insistem em me fazer lembrar de cada uma delas. Sinceramente não sei lidar com isso, é cansativo demais para mim. Elas estão na caneca de café, na fronha de travesseiro, na escova de dente e até mesmo nos meus livros. Ah, tudo o que eu queria era poder esquecer por um minuto tudo isso. Na verdade as memorias são egoístas demais, chegam sem serem convidadas e vão embora sem ao menos dizer adeus.  Talvez seja exatamente por isso que Alexander Pope tenha dito:

Como é imensa a felicidade da virgem sem culpa.
Esquecendo o mundo, e pelo mundo sendo esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!
Cada prece é aceita, e cada desejo realizado”

Trecho traduzido de “Eloisa to Abelard
Acredito que essa deve ser a maior lição deixada pelos que partem sem nos avisar: Nos lembrar através das memorias, que sempre devemos curtir aqueles que amamos com a intensidade proporcional da brevidade de uma brincadeira de esconde-esconde.  Porque, quando eles se esconderem tão bem que ninguém os possa achar, saberemos que amamos e fomos amados, que demos e recebemos todo o carinho esperado, que construímos um sentimento que nenhuma perda poderá apagar. Este sentimento transcende o espaço e o tempo, não se limita ao contato físico. É um amor de alma, de essência. E isso fica, não morre. Torna-se parte de nós, nos confortando nos dias difíceis, sendo cúmplices de nossas vitórias pessoais, ajudando até em nossa conduta, nos fazendo sentir eternamente amados. Sabendo de que um dia haverão de aparecer novamente, na esperança daqueles que sabem esperar.
Enquanto existir lembranças, enquanto a ultima memoria estiver viva dentro daqueles que amamos, seremos imortais e plenos de vida. Assim como o poeta torna sua amada imortal através dos seus escritos, nós temos o dom de imortalizar aqueles que amamos através dessa energia vital chamada AMOR!  Por isso  lute para marcar as pessoas com um sinal de amor, lute para ser  imortal, indestrutível e lembrado. E como disse Alice no mundo das maravilhas: Eu pensava que o tempo era um ladrão, que roubava tudo que eu amava, mas agora eu vejo que você dá antes de tomar e cada dia um presente, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo, uma memoria…
 

 

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade