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O balão amarelo e a mente humana

 Olhar tudo o que há para ser visto. Estar onde verdadeiramente estamos. Eis a busca cada vez mais presente pelo presente, pelo tempo que escorrega por nossos dedos levando consigo pedaços de vida.

  Se o tempo muda conforme a nossa percepção dele, parece que nossas mentes estão cada vez menos aptas para uma convivência digna com todas as coisas contemporâneas. Nossas mentes tornam-se como um balão amarelo que foge das mãos de uma criança distraída, em pleno centro da cidade, para nunca mais voltar. Ele, o balão, perde seu ponto fixo ao se desprender dos pequenos dedos desta criança, forçando a separação em busca de lugar algum, jogado ao vento e aos obstáculos desconhecidos do caminho também desconhecido. Ele é leve, mas não sabe para onde está indo, por isso se perde em sua falta de destino.

  Quando não damos um certo alinhamento para nossas mentes, elas vagueiam sem destino, perdidas no meio do tumulto sem se prender a nada, dando espaço para o encontro com a ansiedade, com a insegurança e com o estresse. Entretanto, tal como o balão, a mente quer se desprender do foco, quer divagar. É por isso também que o filósofo francês Michel de Montaigne nos seu Ensaios, se opunha ao pleno ócio, o autor pensava que era melhor não deixarmos nossas mentes tão livres – chame de mente, espírito, balão… como quiser – porque uma vez livre, ela tende a buscar o caos, tende a deixar espaço para ervas daninhas surgirem em nosso estado de espírito.

  É importante que possamos exercitar a capacidade de guiarmos nossas mentes e não sermos totalmente guiados por ela. Uma criança que corre atrás de um balão solto no meio de um centro movimentado da cidade corre muitos riscos.

 Isso também não significa que o caminho é colocarmos rédeas em nossas mentes de forma absoluta e exaustiva, uma vez que isso acabaria por ferir o que talvez seja o maior princípio da existência humana, a saber, o princípio da mediedade, o de buscar o equilíbrio das coisas.

  Em suma, o ponto é que precisamos estar atento e despertos para os caminhos de nossa mente, assim a tornaremos mais clara e mais consciente de tudo o que está diante dos nossos olhos.

 

Photo by Andreas Weiland on Unsplash

 

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