O Incrível Mundo de Gumball: Nietzsche e Psicologia

Você já deve ter ouvido falar sobre o desenho ”O Incrível Mundo de Gumball’‘  não é mesmo?  Um desenho que teve seu primeiro episodio lançado em  maio 2011, sucesso entre as crianças, jovens e até mesmo os de mais idade. A série de desenho animado britânica-americana-irlandesa criada por Ben Bocquelet para o Cartoon Network, tornou-se sucesso pelo mundo todo.

Você deve estar se perguntando: O que um desenho animado tem haver com Filosofia e até mesmo Psicologia?! 

Gumball Watterson é uma criança que vive em um contexto muito conturbado, é vitima de bullying na escola por ser considerado um estranho para as demais crianças. O desenho se passa em uma cidade chamada Elmorecidade onde Gumball reside com seus pais. Fruto da sua mente fértil, Gumball cria situações fantásticas, personagens e até mesmo aventuras míticas. Para todos os habitantes, Elmore é apenas uma cidade normal. Mas para Gumball, Elmore é uma cidade FANTÁSTICA!

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Aqui podemos fazer uma ligação com a filosofia.

Para Nietzsche a criança é um espírito livre, ela representa a superação dos valores morais e a criação de novos valores. Ela é pura vontade, puro desejo e pura espontaneidade. A criança é a afirmação da vida, mas também é o esquecimento. Ela deseja a vida, o prazer e as brincadeiras, mas não sente culpa por isso. Elas se esquecem das surras e das injúrias. Somente as crianças podem criar novos valores. Somente elas podem criar novos universos através de sua imaginação. A criança é em sua própria natureza um artista. Ao brincar ela cria e recria, constrói e destrói, pinta e apaga tal como o artista. Ela é livre para criar novas realidades. Quando somos crianças somos espontaneidade, liberdade e vontade.  A criança parte de uma perspectiva afetiva.  Ela não entende o mundo dos adultos, faz porque deseja, faz porque gosta, faz sem pensar. Elmore é a cidade que Gumball cria, com seus valores e com suas vontades.

Gumball possui um peixinho de estimação, mas não é qualquer peixinho. Darwin possui pernas e interage com seu dono.  Tudo isso é fantasia criado pela mente de Gumball. O mundo da fantasia: sempre fantasiamos o que não temos e não somos… e gostaríamos de ter e ser.

Darwin

A fantasia pode ser considerada na psicologia, como um mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos que não podem ser realizados. Ela é criada pelo inconsciente para dar a idéia de satisfação, mas essa satisfação substitui a satisfação real. Na verdade a fantasia é uma síntese de idéias, sentimentos, interpretações e memória, com predomínio de elementos instintivos e afetivos. Por meio da satisfação substituta e da omissão da realidade, a fantasia pode ajudar a resolver os conflitos e prevenir a angústia. Entretanto, uma dose constante e profunda de fantasia e devaneio pode fazer com que a pessoa se desvie da realidade, acostumando-se a um mundo irreal, e dificultar o enfrentamento dos problemas concretos.  Gumball vive em uma realidade triste, de sofrimento e exclusão. A fantasia pode ser vista no desenho como um amenizador, uma forma de fuga e proteção.

Poderíamos falar muito mais sobre o desenho, onde cada personagem esboça uma teoria oculta. Esse texto nada mais é do que um incentivo para que possamos olhar com mais conhecimento para aquilo que achamos muitas vezes vazio e sem sentido.  Não tenho duvidas de que Ben Bocquelet sabia o que estava produzindo, criou cada personagem para esboçar na pratica teorias que muitas vezes são incompreendidas. É a industria dos desenhos animados colaborando com o conhecimento.

Quais são suas maiores fantasias?

 

Fontes:

 NIETZSCHE, F. Além do bem e do mal: Prelúdio a uma filosofia do porvir. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo, Comp. das Letras, 2003.

Dicionário Enciclopédico de Psicologia, Martins Fontes.

O Incrível mundo de Gumball, 2011.

 

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade