O jeito mais bonito de caminhar

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Algumas montanhas são mais difíceis de escalar, eu sei. As pernas ficam cansadas e os joelhos fraquejam, pois a íngreme subida não perdoa nem os mais fortes calcanhares. A gente se vê entre a vontade imensa de desistir da aventura e a força além do céu que nos faz continuar.

Não sei exatamente que força é essa, mas ela vem na hora certa. É nisso que devemos pensar quando estivermos na metade do percurso e o corpo der sinais de que não vai aguentar. Na maioria das vezes, olha só, ele aguenta.

É claro que não é fácil, aliás, ninguém disse que seria. Mas também não é impossível sair vivo das guerras da vida quando se deseja mais do que vencer: se deseja estar em paz. Alguns ringues não têm vencedor ou perdedor e esse é o título do “Manual de Sobrevivência no Mundo” – se houvesse um.

A maioria das guerras que enfrentamos não precisaria existir. Quase todos os ringues violentos são causados pelo ódio e pela falta de compressão de todos nós. Não é ele, ela ou você. Somos nós.

As guerras mais sangrentas que já ouvimos falar não tiveram necessariamente um ganhador, ao contrário, todos perdem quando se tira a vida de alguém.  Quando se tira o direito de sonhar, também.

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Aqui não tem outro jeito: ou a gente perdoa ou a gente perdoa. É o único jeito de seguir em frente com paz no peito. Ou esquecemos as maldades que ouvimos ou vamos carregar nos ouvidos o eco das feridas que nos fizeram.

Ou perdoamos quem nos fez mal ou vamos carregar no coração algo altamente contagioso (e perigoso) como a raiva, o ódio ou o rancor. Talvez não seja nem a arte de esquecer, mas de perdoar de verdade. Afinal de contas, perdoar não significa esquecer.

Perdoar é compreender o outro, ainda que pareça impossível. Perdoar não é deixar de sentir raiva, mas transformá-la em outro sentimento, algo menos doloroso como a resiliência ou a compaixão.

Perdoar não é aceitar a agressão, mas aprender a ver o contexto todo. Perdoar é dar a mão para quem nos deu o tapa. Perdoar não é absorver às maldades, mas abstraí-las para qualquer lado que não seja o de dentro. Não, não é fácil e arrisco dizer até que seja uma das coisas mais difíceis do mundo.

Perdoar faz um bem danado pra gente, pois nos torna mais fortes. Engana-se quem acha que o perdão é para os fracos, nada disso. Só perdoa aquele que é grande.

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Acredite, esse exercício é complexo, mas é transformador. É preciso aprender a perdoar o outro e também a nós mesmos. Perdoar é mais forte do que ser perdoado, ainda que os dois caminhem lado a lado.

Comecei falando das subidas dolorosas que enfrentamos quando nos deparamos com montanhas no meio do caminho. E o que isso tem a ver com perdão? Absolutamente tudo. Perdoar faz com que o peso fique menor e as costas doam menos.

O perdão também fortalece os pés, os calcanhares, as pernas, o tronco inteiro. Perdoar tonifica os músculos dos braços, do pescoço e do coração. Ah, o perdão também pode ser a cura para os males da mente.

Perdoe e siga em frente. Esse não é o caminho mais fácil, mas devemos ter fé que esse é jeito mais bonito de caminhar.

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Sobre o autor

Ju Farias

Ju Farias

Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Não estou muito preocupada com meus créditos, eu quero saber mesmo é do que me arrepia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

Toquei você? Entra em contato, me conta como foi essa viagem.