O Pequeno Príncipe: Uma visão de Heidegger

O Pequeno Príncipe de Saint Exupéry roubou e continua roubando o coração de muitos leitores espalhados pelo mundo inteiro. Sendo o terceiro livro mais vendido do mundo, The Little Prince possui cerca de 134 milhões de livros vendidos em todo mundo, 8 Milhões só no Brasil e foi traduzido em mais de 220 línguas e dialetos. Para os que tiveram a grande oportunidade de crescer assistindo e lendo esse personagem tão fantástico, aqui vai uma pequena reflexão filosófica de um das partes mais marcantes da historia:  O dialogo do Príncipe com a Raposa. Eis um trecho do Capitulo XXI do Livro:

Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:


– Ah! Eu vou chorar.

– A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer

mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…


– Quis – disse a raposa.


– Então, não terás ganho nada!

– Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou: – Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.


O pequeno príncipe foi rever as rosas:[…]. “ E ao voltar dirigiu-se à raposa:

– Adeus… – disse ele.

– Adeus – disse a raposa.

– Eis o meu segredo:

 

É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”



“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

 

O encontro com a raposa faz-se muito importante para a revelação do ser-aí, no momento em que a raposa diz ser responsabilidade do príncipe cativá-la. E essa é a mensagem que fica em relação à amizade, por exemplo, o cativar está relacionado com o cuidado, com o vínculo e com a afetação. Muitas vezes a linguagem pode não dar conta da capacidade de entendimento e compreensão dos fenômenos, é preciso estar atento a todas as expressões emitidas pelo sujeito numa tentativa de olhá-lo em sua completude. Na visão de Heidegger, no momento em que a raposa ao falar com o pequeno príncipe do seu “segredo”, a partir desse diálogo ele passa a fazer uso da repetição do que tinha sido dito pela raposa para não correr o risco de esquecer-se da lição dada pela amiga. Esse repetir para lembrar também é mencionado por Heidegger quando o mesmo diz que a linguagem é um modo de ser, a fala cria a existência e esta, através das palavras, tem acesso privilegiado ao ser. Assim, o ser cria seu momento de reflexão e repetição para manter a substância do que foi dito, preservada. Repetir a pergunta devolvendo-a fará com o sujeito passe a refletir mais acerca do que foi dito, e pesar se realmente é isso que o afeta ou o angustia. Sócrates apresenta um fator importante, o Homem só pode conhecer a si mesmo, por isso a sua máxima : Conhece-te a ti mesmo!  Ao expressar uma mensagem para o principezinho, a Raposa fez com que o mesmo entra-se numa profunda auto reflexão. Cabe unicamente ao individuo atribuir um sentido para tudo aquilo que lhe atinge.

o pequeno principe de

O Príncipe sempre foi muito solitário, questionador e curioso. A necessidade de dar um sentido as coisas, talvez a sua própria existência, o levou a abrir mão de muitas coisas que lhe prendia no seu pequeno mundo. Quantas vezes também não somos assim? Temos medo de arriscar, medo de se deparar com mundos diferentes… E ficamos presos dentro de nós mesmos. Escravos do medo e da Angustia.

ARRISQUE! SAIA EM BUSCA DAQUILO QUE DESEJA!  

No fundo, somos todos um pouco como o personagem de Exupéry. Cabe e a mim e a você, trilhar nosso próprio caminho!

”Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez dela tão importante para ti….”

 Antoine de Saint-Exupéry

2015-07-22 12.51.40 1

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade