O Preço do amanhã: Uma analise a partir de Karl Marx

Você já deve ter ouvido falar sobre o filme ”O Preço do Amanhã” (2011) do grande diretor Andrew Niccol. Protagonizado por dois grandes nomes da industria cinematográfica,  Justin Timberlake e Amanda Seyfried. Um filme de Ficção Cientifica com um valor Filosófico imensurável e digno de reflexão.

Somos criados e educados muitas vezes para o mercado de trabalho, estudamos não porque é bom construir conhecimento, mas porque o estudo é fator diferencial para a nossa sobrevivência. Trabalhamos 8 horas por dia, recebemos nosso salario todo final de mês para a manutenção de nossas necessidades. Mas tempo é dinheiro, você ganha mas ao mesmo tempo perde, paradoxo infindável. O filme se passa em um futuro não muito distante onde as pessoas foram modificadas geneticamente para viver até os 25 anos. Daí em diante, algo pode ser feito para driblar essa programação, mas para isso acontecer é preciso ganhar tempo – literalmente – e a tarefa não é das mais fáceis, uma vez que a sociedade é bem dividida entre os pobres, que trabalham, e os ricos, dominantes.

Aqui podemos fazer uma analise a partir de um grande sociólogo chamado Karl Marx (1818-1883)A partir de Marx começa a se falar em Ditadura do Proletariado, uma ideologia que pressupõe a tomada do poder pelos operários como o único modo de reverter a exploração capitalista. O desenvolvimento do capitalismo suscitou uma série de ideologias que visam romper com a suposta exploração do sistema, o qual é representado pelo filme. Desde a Revolução Industrial, a organização do trabalho se alterou. Os trabalhadores perderam o controle dos meios de produção e dos produtos finais, passaram unicamente a vender a força de trabalho para a burguesia. Desta forma se criou um novo modelo de trabalho baseado na burguesia e no proletariado.

Foi Karl Marx quem estabeleceu as bases de uma nova ideologia responsável por influenciar em grande escala as aspirações dos trabalhadores. O marxismo colocou em cheque a relação da burguesia com o proletariado e difundiu a ideia de que os operários eram os únicos capazes de, após a tomada do poder, reverter o quadro exploratório. O sistema capitalista para existir depende da luta de classes, burguesia e proletariado só existem em função um do outro. Entretanto, nesse sistema, a burguesia é a privilegiada por ter controle dos meios de produção e ter o benefício de explorar a força de trabalho, o que resulta em benefícios privados. Marx dizia então que a burguesia se apropriava injustamente da diferença e contribuía para aumentar a distância social e econômica entre operários e patrões.

Andrew Niccol nos apresenta um mundo não tão diferente do nosso. Num mundo dividido por territórios (marginalizado e urbanizados; pobres e elitistas) algumas pessoas compram/buscam/morrem dia após dia por mais tempo para viverem. Para olhos e ouvidos que observam a realidade fictícia criticamente pode-se abstrair daqui um pedaço, para não dizer a realidade inteira, do mundo que vivemos. Pessoas com mais tempo (lê-se dinheiro/poder no nosso mundo), gozando de uma vida regada de prazeres e luxo, onde do outro lado do país pessoas morrem por falta de tempo (lê-se falta de educação, infraestrutura, saúde, lazer e, porque não, vida). Sim, está é a realidade tratada no filme O Preço do Amanha. Um homem que por desespero busca derrubar o sistema e o monopólio dos magnatas do tempo (lê-se do petróleo, latifúndio, etc., no nosso mundo) vira alvo não apenas daqueles que detém esse poder, mas daqueles que gozam como terceiros do mesmo poder.

Marx já nos alertara sobre essa fome por mais tempo (dinheiro):

“O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a”.

O sistema trabalha justamente para que nossa consciência afirme-se mediante os valores estabelecidos por ele. Fazemos desses valores nossos princípios, fazemos desses princípios nossa realidade, fazemos dessa realidade nosso campo social, contudo, não pertencemos a essa mesma esfera, a esse mesmo campo. Somos subprodutos de um campo que produz em massa uma ideologia que nos ocupa enquanto sujeitos e que produz em nós uma sensação de pertencimento enganosa, fabulosa – como diria Milton Santos. Ficamos presos a tradições que não morreram, apenas trocaram sua roupagem. Mais uma vez busco em Marx a inspiração para falar sobre esse aspecto, afinal, “Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem (…) a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”.

É justamente contra a tradição que o filme se desdobra, contra as tradições dos grandes monopólios, oligopólios e afins, do mesmo modo como nós deveríamos nos desdobrar. Permanecemos (pelo menos a grande maioria da população) num estado letárgico profundo, numa inércia sem precedentes, enquanto forças simbólicas nos empurram para o único futuro que elas planejaram para nós, nossa falência (morte para ser mais preciso).

E como um dia gritou Marx,  o filme parece o parafrasear: Cidadão de todos os povos uniu-vos.

“O relógio não é bom para ninguém. Os pobres morrem e os ricos não vivem. Podemos ser eternos desde que não façamos algo inconsequente.”

O Preço do Amanhã

Qual a sua opinião sobre tudo isso? Será que essa é realmente a nossa realidade? Seria utopia?

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade