OUVIR, VER, PENSAR E ABSORVER

Acostumados a sempre estar em fluxo continuo de movimento, aos poucos vamos perdendo a sensibilidade em encontrar beleza e conteúdo em coisas consideradas pequenas e normais na natureza. Já não percebemos a folha sendo levada pelo vento, cortando as ruas com sua poesia e com sua beleza. Já não percebemos a beleza contida nas penas de um pássaro, caídas ao chão, revelando a mais autentica filosofia, mostrando-nos que nada permanece estático.  

Sempre me chamou atenção o fato da natureza sempre estar se manifestando. O movimento do mar em particular me causa uma sensação unica. Sou capaz de perder horas sentado na areia e ouvindo a melodia perfeita do vai e vem das ondas. É como se tudo o que precisamos saber estivesse contido na natureza e ela por sua vez, estivesse tentando nos comunicar. Convido você a silenciar-se por um minuto e ouvir o som que emana dos pássaros, do balançar das arvores, da chuva que cai sobre a terra. Perceba como esses sons são uma especie de calmante para a existência, tudo por um minuto passa a se congelar. Os sons das sirenes frenéticas vão desaparecendo, o barulho social vai se extinguindo restando unicamente o som da orquestra sinfônica natural.

Em uma dessas reflexões diárias, uma imagem me chamou atenção de forma impressionante. Parecia estar querendo me dizer algo, queria me ensinar algo que talvez nunca tenha percebido. Eis a imagem:

Matheus John

Matheus John

Varias foram as vezes que passei por esse mesmo lugar, mas nesse dia tive a oportunidade de aprender com algo tão comum, dois telefones públicos, algo que me fez refletir sobre nossas RELAÇÕES HUMANAS. Todos nós estamos conectados uns aos outros, conexões essas  que não se fazem visíveis aos nossos olhos, mas que estão ali. Estamos tão perto mas ao mesmo tempo tão distantes… Preferimos dar as costas uns aos outros, preferimos nos isolar em nossa bolha de EGO e narciso, a ponto de negar a existência do outro. Como um telefone público, dependemos do outro para que possamos existir em nossa totalidade. Se o outro não vai bem eu serei diretamente afetado, pois estamos conectados, somos seres que dependemos uns dos outros.

Foi então que percebi que de fato as coisas consideradas simples tem muito a nos ensinar. Mas ao mesmo tempo tive um pensamento que me deixou preocupado. Devorados pela falta de ”tempo” já nem sequer olhamos para os lados, não desgrudamos das telas virtuais e isolamos os sons com nossos fones de ouvido cada vez mais potentes.  E a natureza a todo momento gritando em busca de chamar nossa atenção, tentando nos revelar um mundo de reflexões. Será que não estamos ignorando o outro que faz parte de mim? Estou vivendo e aprendendo ou apenas gastando meu tempo com futilidades alienantes?

Bendito sejam os poetas, que fazem água correr nos leitos de rio, apenas para nos lembrar, nem que seja por um misero segundo, daquilo que perdemos a sensibilidade de perceber. 

Nunca o homem inventará nada mais simples nem mais belo do que uma manifestação da natureza. Dada a causa, a natureza produz o efeito no modo mais breve em que pode ser produzido.

Leonardo da Vinci

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade