O tempo roubou o melhor da vida

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Quando somos jovens carregamos a vontade exacerbada de produzir e juntar coisas, por isso a gente trabalha dobrado e até faz umas horas extras no fim do mês. Levamos na ponta da língua a  velha e boa desculpa de que teremos muito tempo para aproveitar a vida, viajar e socializar. Iludidos pelo tempo, vamos deixando de lado coisas essenciais para a existência humana, como frequentar lugares que amamos, tomar aquele café entre amigos e até mesmo de amar as pessoas.
Na correria de cada dia, não conseguimos notar nossa vida passando a todo vapor diante dos nossos olhos. Cegos pelo frenesi, esquecemos que não podemos frear o passar do tempo. Eis que então caímos em uma armadilha , presos na rotina acabamos se esquecendo  do mais importante: Aproveitar a vida.
Quanto mais precisas para viver, mais tens de trabalhar e menos tempo tens para ti. O maior dos luxos √© o tempo. O tempo √© o meu maior patrim√īnio.
Miguel Esteves Cardoso
E de repente 40 anos se passaram e finalmente a t√£o sonhada aposentadoria chegou! Agora ¬†dinheiro e tempo fazem parte da velhice, combina√ß√£o perfeita para aproveitar a vida. Mas o tempo e o dinheiro acabaram levando de voc√™ a disposi√ß√£o e sa√ļde. De repente o cabelo come√ßa a ficar¬†esbranqui√ßado. Bom, pelo menos agora poderia pensar em ouvir mais as pessoas que ama por√©m ¬†a audi√ß√£o j√° n√£o ajuda mais. Ent√£o √© poss√≠vel perceber de que o Tempo roubou ¬†o melhor da vida e tudo j√° n√£o faz mais sentido algum. As horas em frente ao computador da empresa n√£o passam de memorias e a falta de tempo para estar com as pessoas se faz vis√≠vel , agora na solid√£o da velhice.
Ficar velho √© muito estranho. A coisa principal √© que voc√™ tem que ficar constantemente dizendo a si mesmo ‚Äúestou velho, estou velho‚ÄĚ. Voc√™ se v√™ no espelho quando desce no elevador, mas n√£o olha diretamente para o espelho, d√° uma olhada de lado, um sorriso amarelo. Voc√™ n√£o est√° t√£o mal, voc√™ parece algo como uma vela empoeirada. Azar, fodam-se os deuses, foda-se o jogo. Voc√™ j√° deveria estar morto h√° trinca e cinco anos. Isto √© uma cena a mais, mais uma olhada no show de horror. Quanto mais velho o escritor fica, melhor ele deve escrever, ele j√° viu mais coisas, j√° aguentou mais, j√° perdeu mais, est√° mais perto da morte. Esta √ļltima √© a maior vantagem. E h√° sempre a nova p√°gina, a p√°gina em branco.
‚ÄĒ Charles Bukowski.¬†
Talvez n√£o dever√≠amos esperar pelo amanh√£ para ser feliz, fazer aquilo que amamos e sentir-se vivo. Quantas pessoas est√£o mortas em uma vida de pura agita√ß√£o, mortas atr√°s de folhas com n√ļmeros e contas bancarias. Sem tempo para amar, se divertir, viajar e sonhar. Pessoas que nunca contemplaram o por do sol ¬†por estarem¬†ocupadas demais com ”coisas serias”. Quantas pessoas partem dessa vida sem nunca ter tomado um banho de chuva, sem dizer ”eu te amo” para a pessoa amada, pessoas que nunca vagaram¬†sem rumo e sem hora para voltar. Perdidos na ilus√£o de uma falsa vida, eles foram devorados pelo tempo que n√£o perdoa e nem possibilita uma segunda chance.
Por isso pense bem em como deseja gastar seu tempo.. Antes que seja tarde demais e  enfim reste apenas as memorias e o arrependimento!
Lembra-te que o tempo tudo consome. E se assim n√£o fosse, o que seria a nossa vida!? Um ermo cemit√©rio em que cada cruz representaria um morto sempre vivo! Completamente imposs√≠vel! Se o tempo consome o corpo dos que morrem, como n√£o consumir a lembran√ßa deles? E se assim n√£o fosse, que vida seria a nossa!? Deus, dando-nos a dor, deu-nos tamb√©m o esquecimento…
Florbela Espanca

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paran√°. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extens√£o na √°rea de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extens√£o UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade