O Velho e as Memórias: Envelhecer é aprender

O texto a seguir relata os ensinamentos de um velho homem, que um dia foi  menino, jovem e agora está próximo de se tornar  apenas uma memória.. Este texto literário foi escrito por Matheus John..

Sou um homem  velho… Agora sei que estou morrendo e que somos seres finitos. Nada melhor do que a velhice para mostrar o caminho que trilhamos até aqui. Envelhecer é se aproximar da vida, tempo de refletir sobre nossa existência. Memórias de recordações e lembranças são características em mim agora. Memórias que apontam o meu passado, apresentando um filme dos diversos caminhos que eu poderia ter escolhido.  Mas ao mesmo tempo que as memorias afirmam minha liberdade, lembro-me que minhas escolhas de ontem fazem o meu Ser de agora. A velhice me ensinou que exitem apenas duas datas importantes em nossa vida: O dia em que nascemos e o dia que descobrimos para que nascemos… O tempo, o tempo parece ter desacelerado para mim, 2 horas demoram eternidades. E é isso que nos faz ficar  reflexivos, sentados por muito tempo  em um banco de praça solitário. Aos poucos meus amigos se vão pela estrada do tempo, ah, o tempo é cruel! Agora realmente reconheço que vou morrer, já que em minha juventude me sentia eterno e invencível. E ao aceitar a morte estamos aceitando a vida, pois passamos a dar mais valor para cada simples momento. Se de fato o jovem diz o que pensa, então o velho pensa no que diz… 

Assim como gosto do jovem que tem dentro de si algo do velho, gosto do velho que tem dentro de si algo do jovem: quem segue essa norma poderá ser velho no corpo, mas na alma não o será jamais.

Cícero

Nascer, conhecer os caminhos, escolher e trilhar para depois contemplar. Esses talvez sejam os passos que todos nós devemos passar.. Cada siglo sendo único, sem a possibilidade de voltar ou avançar entre eles.. Uma ordem natural que nos permite e nos convida a viver o agora, para que depois que anão exista arrependimento daquilo que passou e outrora não voltará mais. Eu sou um velho, e nem por isso o menino de minha infância morreu… um menino, um adolescente. um jovem e agora um velho habitam em mim.
Aos jovens deixo uma ultima mensagem, antes que eu me transforme em apenas mais uma memoria…

A vida é como um sorvete, se não a aproveitamos ela derrete e escorre pelas nossas mãos sem que a tenhamos saboreado.

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Friedrich Nietzsche

 

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Sobre o autor

Matheus John

Matheus John

Matheus John, 21 anos, natural de Ponta Grossa- Paraná. Atualmente cursando Ensino Superior em Licenciatura Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior Sant'Ana. Colaborador do projeto de extensão na área de Literatura Existencialista e Filosofia Classica . Colaborador Projeto de Extensão UEPG: Nietzsche e David Foster: Niilismo e nova sinceridade