Quase 24: Indevidamente questionada.

Alguns chamam isto de inferno astral, outros de crises de ansiedade, nem mesmo gosto de nenhum destes nomes.

Hoje, depois de passar o dia comprando materiais escolares para minha irmã de seis anos, me senti cansada. Cheguei em casa abri o Netflix e procurei um filme bom para ver, não suportaria menos do que quatro estrelas. Rs.

Não foi o filme que me fez mal, longe disto, foi uma pergunta que me fizeram a tarde e que não foi bem digerida. Uma pergunta simples, porém indelicada.

A primeira coisa que gostaria de leva-los a pensar, enquanto obviamente eu elaboro o todo, é: quantas pessoas aos 23 anos, ainda cursando a faculdade, já gerem um negócio próprio? Quantas pessoas aos 23 anos trocariam qualquer noite agitada e regada a alcóol, por uma boa noite de sono? Quantas pessoas aos 23 anos decidiriam por aceitar o corpo que tem e simplesmente seriam felizes comendo aquilo que as satisfizessem e fizessem feliz? Mesmo que isto resultasse algumas gordurinhas localizadas.

Bom, eu venho de um universo em que nada disso seria possível aos 23 anos, isto por que por aqui as pessoas preferem as conversas soltas e fúteis, a um bom livro ou filme em companhia própria (entendam isto como quiserem). Ou mesmo por que estão mais preocupadas em viver a juventude, sempre em boa forma, do que com o que serão aos 30. Ou simplesmente por que não precisam se preocupar com o que comerão ao chegar em casa, alguem ja teria com certeza passado no super mercado por eles e inclusive feito os preparos.

Se você se identificou com um ou mais pontos que descrevi aqui, acredite, você não está sozinho(a).

Não, não é sobre eles este texto e sim sobre mim.

A pergunta foi: “Você já tem namorado?”;

A resposta foi: “Ainda não, mas uma hora este momento chegará.”;

A segunda pergunta, já acompanhada da resposta, foi: “Pois é, mas quantos anos você já tem? 23, certo? Nesta altura já deveria estar com alguém…”.

Houve, então, um silencio que foi subitamente interrompido por um riso arrancado da garganta, da minha garganta, e só consegui dizer que alguma hora alguém apareceria e tudo o que eu conseguia pensar era “em algum momento alguém decidirá ficar”.

Talvez eu esteja apenas cursando o caminho pelo lado oposto, ao invés de um amor a vida tem me dado o sucesso na carreira primeiro. Talvez eu nem encontre alguém que queira passar a vida comigo, as vezes nem eu me suporto Rs. Talvez eu tenha pulado as partes das quais as pessoas teriam dito por que não quiseram ficar. Talvez eu só não tenha sorte no que chamam por aí de amor (Haha).

Haveria alguém no mundo que também estaria trilhando o caminho oposto? Haveria alguém disposto a trocar noites de festas por noites tranquilas? Sinceramente, não sei. Prefiro acreditar que sim e isto sem sequer romantizar a vida, racionalmente falando.

Prefiro entender que, por mais que eu tenha bolado um plano para descrever um amor perfeito e mentir para os parentes sobre o quão feliz estou por ter encontrado finalmente meu grande amor, ele está em algum lugar e que um dia, quando conhecê-lo, não encontrará motivos para ir embora e sim mais e mais razões para ficar. Tudo isto é muito melhor do que ficar pensando que todas as conquistas, aos quase 24 anos, são asneiras perto da grandeza de ter encontrado um amante.

Prefiro não permitir que ninguém me diminua por não ter aquilo que eles pensam ser o melhor, sendo que nem ao menos conhecem tudo aquilo que já conquistei. Prefiro ser inteira do que apenas metade de outra metade.

Quero estar pronta para ser inteira com outro inteiro.

Comentários

Comentários

Sobre o autor

Thaise Helena

Thaise Helena

Nascida em Curitiba, residente na pequena Londres.
Escrever se tornou um hobbie no momento em que as coisas saíram do diário, tomaram um tom mais sério e eventualmente cientifico. Quando amadureceu e percebeu que sentimentos e emoções eram para dividir com o mundo e também para receber do mundo. Quando por "acaso" estudou dois anos de Teologia.
Após os sinais de fumaça, percebeu que estudar Psicologia a levaria por um caminho profundo de compreensão e estudo do ser, assim, embarcou novamente na aventura do curso superior.
Cá esta ela, as vezes inteira, mas pronta para dividir.