Rio sem fundo

Um poema sobre os devaneios de um homem atormentado pelos próprios erros e desejos…

 

Nunca é amor é sempre um tipo de simbiose embriagada
não que isso seja uma dor ou o mal da vida
mas já senti orgulho de voltar pra casa com o pau assado de tanto foder
foi horrível, eu bebia um gole de cerveja e corria pra pia molhar a cabeça
a segunda cabeça, no caso,e eu me sentia extremamente deprimido
e pensava em suicídio, em arrumar um emprego, parar de beber, levantar cedo e correr no parque,
todas essas coisas se assemelham
claro que metaforicamente, mas eu não preciso explicar,se não entendeu, ao menos acredite que sim, assim como bem ou mal, acredita na felicidade e no orgasmo da sua mulher
mas escrever é basicamente isso, explicar memórias distorcidas e cagar da ponta dos dedos, alguma comparação que pode ser considerada genial ou menos do que uma mosca que pousa na carne e te deixa puto, no almoço de domingo, a mágica é a democracia disso tudo,
essa semana, eu tentei escrever um poema as três da manhã, mas a porta do quarto estava pouco aberta,e algum demônio entrou e me fez desistir da ideia de escrever, e mesmo sem dizer uma palavra
aquela viva e flutuante espécie de ser ilusório,me aconselhou a ir atrás de uma cerveja e de um pouco de pó,mas minha depressão é tão fodida
esbofeteou aquela sombra vadia de blues e arrogância, lhe mandou tomar no cu e a fez se desfazer
enquanto eu, acendia a ponta de um baseado e orquestrava
a dança das nuvens que cercavam a lua pálida
Agora, consciente, só sinto falta de algo a se amar e morrer por,
mas não menos relevante que isso, tenho uma extrema vontade de fumar ópio e nadar pelado num rio sem fundo
mas eu sinceramente, não sei onde consigo ópio, muito menos amor
e isso me deprime na maioria das vezes que paro pra pensar…

 

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Sobre o autor

Vinícius Prestes

Vinícius Prestes

Escritor e boêmio, 18 anos, apreciador de música, da clássica ao samba, assíduo leitor de escritores beatniks, aficionado por filmes de máfia, no momento escrevo pra não morrer...