Saia da Vitrine!

Muitas vezes por medo de se machucar emocionalmente e medo de sofrer, entramos, ou somos colocados pelos pais super protetores, em uma redoma de vidro, na tentativa de evitar qualquer envolvimento com o “mundo” externo. Deixamos de viver, de ter experiências.

Estar nessa redoma de vidro funciona, em partes. Sentimos-nos protegidos. Não sofremos decepções, não nos magoamos com as pessoas porque não nos envolvemos com elas. Mas sofremos emocionalmente. Imagine uma manequim dentro de uma vitrine. Todos aqueles que olham para ela a admiram. Está sempre bela, impecável, bem vestida. Ela desperta certa inveja naqueles que a observam. E ela, ao ver aquelas pessoas que estão do lado de fora da vitrine, deseja imensamente viver a vida deles: sentir a brisa, a ventania, as chuvas de janeiro no final da tarde, o calor do sol, sentir como é abraçar, chorar por uma emoção, beijar e ser beijada.

Quantas pessoas vivem nessas prisões. Querem viver, mas sentem medo. Pode ser que esse medo surgiu após algumas experiências negativas que fizeram com que a pessoa sentisse a necessidade de se fechar para novas experiências como um mecanismo de proteção. Infelizmente, ela não consegue perceber que podem surgir boas oportunidades, boas notícias e relações sadias em sua vida.

Ao ler o livro ou assistir ao filme “Como eu era antes de você”, da escritora Jojo Moyes, percebemos que a personagem Louisa Clark imagina viver a vida perfeita com seu namoro de 7 anos, seu emprego na cafeteria e seus esforços para ser a boa filha. Seu sonho? Estudar moda. Mas, vítima da sua própria história não pode ir pra faculdade, pois a família dependia dela financeiramente. Ao perder o emprego, ela começa a trabalhar com Willian Traynor, um rapaz que devido a um acidente fica em uma cadeira de rodas. Louisa quer mostrar um mundo de possibilidades a ele, mas é ele quem a faz perceber o quanto a vida que ela levava era chata, enquanto havia um mundo que ela não se permitia conhecer. Mostrou também o quanto ela era capaz de ir atrás de seus sonhos e viver intensamente. Com isso percebemos que um evento ruim em nossa vida pode abrir espaço para novas possibilidades e que podem ser positivas, se nos permitirmos vivê-las.

Mas o que seria viver?

De acordo com o dicionário Michaelis, viver significa “Ter uma vida cheia de prazer e alegria; gozar a vida”. Mas assim que começamos a nos permitir viver algumas coisas percebemos que não colheremos só alegrias e prazeres. Em muitos momentos vão surgir decepções e os planos nem sempre acontecerão da forma como imaginamos. As pessoas a quem dedicamos amor e cuidado poderão não retribuir da mesma forma, iremos receber muitos “nãos” antes de um “sim”.

Apesar disso tudo, você sentirá que ainda vale muito a pena estar fora da vitrine. Uma vez que você sair dela, nunca mais vai querer voltar, e sabe por quê? Porque você percebeu que é o autor da sua história, você faz parte deste mundo, você sente, enfrenta, e continua vivo. Você pode suportar todos esses “baques” da vida, e pode ser muito feliz apesar de tudo aquilo que um dia já te frustrou.

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Sobre o autor

Izabela Aparecida Felisberto

Izabela Aparecida Felisberto

Natural de Chavantes-SP, Distrito de Irapé, interior de SP. Formada em Administração de Empresas pela Faculdade Estácio de Sá, Câmpus de Ourinhos. Estudante de psicologia, 24 anos, me interesso por tudo que se relaciona às diversas facetas do ser humano, sobretudo o seu desenvolvimento e melhoria de qualidade de vida. Amante da literatura, leio tudo o que for possível... de romances a rótulos de produtos! A escrita e o artesanato são algumas de minhas terapias. Me apaixono diariamente... pela vida!