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Setembro Amarelo terminou, mas a conscientização não pode parar.

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Escrito por Leandro Medeiros

Em uma sociedade que privilegia conquistas e pressiona diariamente seus indivíduos para que apresentem resultados a qualquer custo, não raros são os casos de pessoas que se deprimem e entram em estados mentais perigosos, beirando a depressão, com distorções da percepção do que é real e podem encerrar, tristemente, seu caminho mundano.

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Existem muitos motivos – em suas mentes – para que as pessoas desejem findar a própria vida e isso é assunto sério, não é banalidade – muito menos fragilidade. Cabe a todos desmistificar preconceitos e avançar intelectualmente, pregando a empatia na humanidade. Julgamentos não são necessários para quem sofre de tal mal. A ajuda responsável continua sendo a melhor maneira de lidar com os fatos. É preciso ter compreensão de que cada ser humano, dentro de sua complexidade, possui seu tempo e espaço. Existe um perigo muito grande quando se atravessa arbitrariamente a linha que demarca esses limites. Desse modo, falas como: “saia dessa cama”, “vá em frente”, “deixe de ser mole”, “coisa de quem não viu nada da vida ainda”, “coisa de gente fraca” podem ser o estopim para uma tragédia.

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Seres humanos são racionais, são complexos. Mas se você conhece alguém que pode estar precisando de ajuda, não hesite, disponha-se para a melhoria de vida dessa pessoa, de maneira gradual e consentida. O autoexílio é um refúgio para muitas pessoas e a ameaça de seu fim é algo amedrontador para o deprimido. Talvez, expor a pessoa a um público leve muito tempo, mas a recompensa de uma vida mais longa mediada por intervenções saudáveis é algo que merece todo o zelo possível.

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Para complementar sua leitura de modo analítico e técnico:

http://drauziovarella.com.br/noticias/suicidio-e-possivel-preveni-lo/


Para terminar em reflexão, segue uma escrita que pretende despertar, em sua mente, pensamentos sobre os mais variados temas. Dentre eles, gostaria de salientar: a solidão como tema latente e perturbador; a decepção pela qualidade de relações que são mantidas na sociedade contemporânea; a fuga do convívio grupal e a insatisfação pessoal camuflada por idealizações fictícias para a proteção mental entre a sanidade e o abismo incompreensível.

O AUTOEXÍLIO

Estou inconformado com tantas atitudes minhas, atitudes que me levam para onde não quero ir.

Não consigo cessar esse caminho que percorre o dia e, sem meu controle, vive minha vida me transformando em mero espectador impotente de um programa medíocre que não satisfaz nem ao tédio de acompanhar.

A mudança aparece como algo inatingível, uma construção sólida em um costume líquido de abandonar o trabalhoso, desejar e não concretizar. Não estar disposto a sacrificar, judiar o físico. A maior contradição é almejar a melhoria espiritual (tome por espiritual aquilo que move o físico) sem, ao menos, entendê-la.

A hipocrisia que me cerca, seres que tudo têm, mas nada são. Sua superficialidade comove até o mais frio analista, uma população que vive por reflexos; vive? Não suporta a realidade e usufrui de todos os bens possíveis para mascará-la. A inconformação que persegue toda uma geração, sem perdoar nem aqueles que tentam escapar.

Faltam referências no dia a dia para que os assuntos não sejam meras repetições tangentes à vida alheia e ao comportamento de outrem.

Não se deve guardar aquilo que não se quer compartilhar, fere a alma, maltrata o íntimo do ser. E em uma espécie de ciclo vicioso, volta-se para a premência da partilha de experiências, mas tal feito carece de conexões; tão raras conexões salubres e verdadeiras, capazes de corresponder a expectativa de reciprocidade.

Os assuntos sobre as profundidades do ser humano, subjetividades que representam o intocável caíram em desuso, não movem mais a conversa e não encantam os tristes olhos dos cegos pelo reconhecimento. Deram lugar para uma (in)complexidade que prefere o vanglorio, preconceitos distorcidos e os lançamentos/tendências – estas tão vazias.

Diferenças marcam os seres que inundam esta vasta Terra, muitos não se encontram dentre os ditos “semelhantes” – talvez a semelhança se encerre na espécie.

A decepção possui um poder destrutivo muito grande, mas ela não é, nem de perto, a mais cruel arma da socialização. Falsas medidas para escolher/abater as companhias projetam falsas relações que assassinam a salubridade dos relacionamentos. Frustram.

Males mais tenebrosos assombram o viver grupal. A linha incendiária que se inicia com a falsidade pode originar as mais terríveis bombas emocionais. A mentira que perpetra o ódio, o ódio que agride, a intolerância que mata. O não saber aceitar, que desanima qualquer chance de ânsia de compartilhar. A intolerância pode ser metaforizada, de maneira trágica, como um não saber escrever que pode pôr um ponto final onde não haveria de existir nem uma vírgula.

Dos devaneios diários, extraio que as atitudes que me inconformam me levam para onde não desejo habitar estão relacionadas ao mundo que estou imerso, somos, juntos, um grande conjunto doente que anseia pela liberdade da plenitude.

 


 

Compartilhe ideias, não apague a chama que arde dentro de você, ela pode iluminar o mundo de muitas pessoas.

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Sobre o autor

Leandro Medeiros

Jovem catarinense fascinado pela biologia, filosofia e escrita. Estudante de medicina, na Universidade Federal de Santa Catarina; além de conceber e solucionar indagações ao decorrer da vida.