Trident de morango

Já joguei suas coisas fora, já apaguei as músicas que me lembravam você.

Já esqueci seu beijo, seu cheiro, seu olhar, que há tempos não me olha.

Já não me lembro mais das piadas, das risadas que ocorriam sem cessar e nem da última vez que comprei Trident de Morango.

Já arranquei seu sorriso, sua fala e seu pensar da minha memória.

Tive que me conformar de que não iria continuar, de que não iria durar.

Libertei-me das amarras que me prendiam a você, porque assim tinha que ser.

O Universo já não conspirava mais a favor, não nos esbarrávamos mais e nem sentia mais teu cheiro no ar.

As músicas já não tocavam mais e a única coisa que havia eram desculpas.

Não lembro ao certo quando o término começou a acontecer, mas acho que desde o início já estava fadado ao fracasso.

Sim, foi bom enquanto durou, porém deixei ir, porque não fazia mais sentido pensar em como seria se já não era mais, se é que foi algum dia.

Quando só há dissimulações, desculpas, não tem como e o que continuar. Deixei ir, porque nada mais restava além disso.

Levo, então, dentro de mim, algum tipo de nostalgia, de melancolia, sobre o que foi, tendo a certeza de que não voltará.

Melhor do que acontecer, é entender o porquê e quando deve acabar.

Deus sabe

Comentários

Comentários

Sobre o autor

Marcella Sartori Ferreira

Marcella Sartori Ferreira

Advogada, pensadora amadora, libriana, ascendente em aquário, Lua em leão, Vênus em virgem, ou "doida", como muitos têm me chamado (o que tenho tolerado e até me identificado), cujo hobby é rir!