Tudo perde o sentido quando não nos faz sentir

A vida é curta demais para deixarmos nosso orgulho e nosso medo nos afastar daquilo que desperta amor dentro de nós. Sim, pois sem ele, nada vale a pena. Tudo perde o sentido quando não nos faz sentir. A sensibilidade é um dom que nasce com todos, porém poucos são os que lhe dão espaço, abrem a porta e a deixam ficar. É como uma sementinha que precisa ser cultivada para florescer. Se não cuidarmos, ela morrerá e não dará seus frutos. A sensibilidade é como uma rosa, enfeita e perfuma por onde passa, mas para tê-la, teremos de segurar em seus espinhos.

Muitos preferem ignorar esse estado de espírito para evitar a dor, a rejeição e a indiferença. Porém, acabam se furtando o direito sofrer, chorar e chutar o balde. Sim, é um direito e, muitas vezes, necessário. A cultura contemporânea nos diz o tempo todo que devemos ser felizes. As redes sócias refletem isso, selfs de sorrisos que demonstram, muitas vezes, uma realidade que não existe. Sorrisos vazios, forçados, sorrisos tristes. Não estou dizendo que não devemos ser felizes, mas ignorar nossos momentos melancólicos não ajudará em nada.

Só reconhecemos a valor da felicidade porque conhecemos a dor do sofrimento. Nos tornamos mais humanos e ampliamos nosso olhar diante da reflexão, porque num momento triste, desaceleramos o suficiente para processar o que, num momento qualquer, passaria despercebido por nós. Diante da nossa dor e da dor do próximo nasce uma chance de sermos melhores enquanto pessoa. Uma oportunidade para revermos nossos conceitos e nos solidarizarmos nos momentos em que precisamos um do outro. A tristeza não gera só sofrimento, ela também aproxima, ensina e humaniza, depende de como a enxergamos.

Diante disso, estou de bem com minha melancolia. Não finjo mais que ela não existe, parei de ignorá-la. Fizemos as pazes, chegamos à conclusão de que encenação é mais bonita em peça de teatro e compreendemos melhor o quanto mentir para si mesmo é sempre a pior mentira. Oscilações emocionais são normais, super-heróis não existem e livros de autoajuda não fazem milagres. O perigo mora em não aceitarmos nossos momentos de debilidade e tentarmos burlar a nós mesmos. Nos tornando reféns de um sequestro   cujo o réu somos nós, enquanto permanecemos omissos diante das nossas fraquezas. O que nos leva a auto-vitimização, um estado ingrato no qual eu sinto pena de mim.

 Permita-se sentir e lembre-se que tudo passa. O importante é aprendermos a lição que a vida está a nos ensinar…

Comentários

Comentários

Sobre o autor

Rachel Dos Santos

Rachel Dos Santos

Paulistana, porém mineira de coração. Vinte e poucos anos, viciada em música e sorvete, adora filosofar no facebook e compor canções que guarda a sete chaves. Estudante de jornalismo , pretende construir um mundo mais bonito por meio de seus escritos. Acredita que a simplicidade é a chave que abre a porta da felicidade. Sempre usa reticências no final das frases porque sente que sempre há um pouco mais a se dizer...