UM SONHO E UMA RESSACA

Um poema autobiográfico, sobre dias difíceis para escrever e sonhar, ou simplesmente, se manter sóbrio…

 

Um pássaro de um verde vivo, sobrevoava a névoa que saia dos olhos
daqueles que, não conseguiam chorar
Todos pareciam não poder, todos pareciam impotentes e especialmente
humanos
E isso não me fazia sentir qualquer coisa, além de tristeza
então o pássaro cai do céu, lentamente, perdendo a cor e a vida
enegrecido pelas chamas dos sonhos mortos
Ele finalmente, atinge o chão
não é mais pássaro, ou verde, ou vivo
ou, qualquer coisa
apenas um amontoado de cinzas finas, que logo,
desaparece

Então tudo volta a ser pior do que nunca
e por algum motivo eu me surpreendo por estar vivo
e o teto apodrece aos poucos e as paredes, perderam a voz que nunca
tiveram
É apenas mais uma manhã ou tarde, de qualquer dia, de qualquer ano
de qualquer estação, no mesmo lugar
A minha volta, as latas e as folhas e todo o resto do vazio
que existe, nos quartos e no mundo

Porra, como eu posso me considerar poeta? Homem? Vivo? Humano?
Puta que pariu… É uma atrás da outra… e está cada vez pior…

A cerveja é sempre a mais barata e os cigarros morrem rápido
nos meus pulmões e na fumaça que se espalha pelo vento
preenchendo tudo
Exalando a morte
Acusando-me mais uma vez

Eu nunca imaginei que conseguiria chegar a tal nível de depressão
de uma hora, para outra
Sem ao menos, poder pensar… e respirar… e lutar

Eu simplesmente, me dei por vencido e bebi por 5 dias seguidos
e agora, finalmente, consigo acordar e pensar a respeito,
depois de um sonho bizarro e perturbador
O tempo passa e eu paro, me afogo e provavelmente morro
até finalmente perceber, que estou fodido

Merda. Me deem um desconto. Eu sou novo, ainda.
Um futuro poeta amado e odiado e se não isso, com certeza, um bom bêbado.

Ultimamente escrevo mais com a alma do que com a mão e isso não significa merda nenhuma, mas eu prefiro pensa que estou fazendo o certo

Acendo mais um cigarro e olho pro teto, finalmente é hora de escrever…
mas antes é claro que devo vomitar e reclamar com deus, de uma das piores ressacas, da minha vida.

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Sobre o autor

Vinícius Prestes

Vinícius Prestes

Escritor e boêmio, 18 anos, apreciador de música, da clássica ao samba, assíduo leitor de escritores beatniks, aficionado por filmes de máfia, no momento escrevo pra não morrer...