A tecnologia e a globalização vieram de encontro a uma das necessidades do ser humano: estar em contato com outras pessoas, se inserir em grupos, trocar ideias, compartilhar momentos virtualmente, se sentir um pouco mais próximo do outro apesar da distância que os possa separar.

Sim, a internet e as redes sociais proporcionaram isso tudo, mas também contribuiu para que trocássemos a interação pessoal “cara a cara” com as pessoas, por mensagens de texto e “likes”.

Nossos relacionamentos estão se tornando cada vez mais líquidos e superficiais. Nas redes sociais nosso grupo de amigos cresce de maneira inimaginável, mas nem todas as pessoas que ali participam desejam assumir a responsabilidade de CATIVAR.

Mas como assim CATIVAR?

Podemos interpretar o verbo cativar em dois sentidos: “criar laços” ou “aprisionar, tornar algo cativo.” Na reflexão acerca da amizade podemos compreender que cativar alguém significa criar laços com essa pessoa, permitir uma aproximação à realidade do outro ser humano, partilhar histórias, cuidar e amar, sobretudo sem aprisionar o outro, ou seja, dar a pessoa total liberdade de ter suas escolhas.

No livro “O pequeno príncipe” de Saint-Exupéry, há uma frase muito conhecida que diz:

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Nesta frase está um dos motivos que fazem com que as pessoas não queiram cativar umas às outras: a responsabilidade, ou melhor, o compromisso com o outro.

Numa relação de amizade está implícita a responsabilidade que um deve ter pelo outro, o cuidado, o afeto, o carinho. O compromisso de estar presente nos momentos bons e ruins daquele a quem você cativou e foi cativado. Sim, você não só cativou aquela pessoa… Ele(a) também te cativou, porque a amizade deve ser algo recíproco, assim como o amor.

Mas, e se porventura, a amizade terminar? Estarei eu aprisionado a essa pessoa, já que a frase diz que serei “eternamente responsável”? Toda relação sadia conta claramente com a liberdade. Nós somos livres. Cativamos, ou seja, criamos um elo com alguém, e só devemos criar laços cientes de que o outro é livre para percorrer outros caminhos, mesmo sem você ao lado. Acontece que, aquilo que vocês vivenciaram e compartilharam juntos ficará eternamente guardado em suas memórias.

Não interprete a palavra ETERNAMENTE como um fardo. E perceba que mesmo que vocês como amigos tenham se afastado, e tenham se magoado um com o outro, ele(a) estará sempre em suas lembranças, e você sentirá aquela preocupação com o bem estar do outro quando perceber que os caminhos que ele está percorrendo podem lhe ferir. Você pode até não assumir, mas sentirá vontade de cuidar da outra pessoa se algo acontecer na vida dela. Nem todas as pessoas estarão dispostas a se reaproximar em um momento delicado, mas mesmo assim, dentro de si elas terão esse desejo de amparar o outro.

A amizade é algo eterno. Valorize aqueles a quem você cativou, e por quem foi cativado. E aquelas pessoas a quem você não mais considera como amigos, pense: Sou grato pelo momento em que essa pessoa surgiu em minha vida, e o motivo que me fez criar laços com essa pessoa – seus ensinamentos, modo de viver a vida e qualidades – estarão eternamente gravados em mim.

Pois, “quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro” (Eclesiástico 6, 14).

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Sobre o autor

Izabela Aparecida Felisberto

Izabela Aparecida Felisberto

Natural de Chavantes-SP, Distrito de Irapé, interior de SP. Formada em Administração de Empresas pela Faculdade Estácio de Sá, Câmpus de Ourinhos. Estudante de psicologia, 24 anos, me interesso por tudo que se relaciona às diversas facetas do ser humano, sobretudo o seu desenvolvimento e melhoria de qualidade de vida. Amante da literatura, leio tudo o que for possível... de romances a rótulos de produtos! A escrita e o artesanato são algumas de minhas terapias. Me apaixono diariamente... pela vida!